Engana-se
quem pensa que é fácil ser poeta. Já imaginou a responsabilidade que é carregar
o mundo inteiro dentro de si?
E não é só o
mundo. Há também os sentimentos, os mais variados sentimentos, principalmente o
amor. Eu sei, você deve estar pensando que muita gente carrega o amor dentro de
si, mas o amor do poeta não é qualquer amor (se você acha que amor é tudo
igual, te aconselho a rever seus conceitos). É muito difícil descrever o amor
de um poeta. Por quê? Porque é do poeta ué, só isso basta.
Traduzir um
sentimento, uma pessoa, um momento num poema é agridoce. É preciso ser parte
daquilo que se traduz e, ao mesmo tempo, não ter nada a ver com aquilo servindo
apenas como um instrumento. Complicado? Ah, você não sabe o que é complicado...
Vai ser poeta pra saber! Vai sentir as inquietudes, as incertezas, as
esperanças, as dores suas e dos outros também. Vai olhar para uma simples rosa
e imaginar um jardim inteiro, contemplar um copo d’água e fazer dele o teu
oceano, vai esboçar com lápis e papel uma estrela e se deparar com uma galáxia
inteira!
Poetizar não
é tarefa fácil, mas não poetizar é mais difícil ainda para o poeta, porque a
poesia permanecerá em seu interior. É como a mulher que se nega a dar à luz:
ela não gerará uma criança, mas o útero continuará lá dentro dela, para
lembrá-la que nele se cresce uma vida. Um poeta pode não escrever seus poemas,
mas não pode arrancar de dentro de si a sua essência poética.
Se você não
é poeta, te aconselho a respeitá-los (e quem sabe compreendê-los se é que isso
é possível...), pois como eu já disse não é uma tarefa fácil. Agora, se você é
um poeta, meu conselho é: não pare, lute! Porque poesia é muito mais do que
palavras e ser poeta mais do que pessoa.
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