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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Para nossa gente


Não quero falar de amor.
Não hoje. Não agora.
Quero falar de pranto, de mágoa,
de tristeza refletida em olhares temerosos.
Quero falar de gemidos de fome e de dor
que ora ecoam, ora são sufocados na escuridão
fria e silenciosa.
Quero falar de infelicidade, da falsa arte bélica,
dos estranhos ideais autoritários.
Hoje quero escrever não para meia dúzia de sonhadores,
mas para milhares de desgraçados espalhados por essas esquinas.
Gente que não vive e sim sobrevive. Gente de coração sangrando
e mãos calejadas. Gente que não sabe ler nem escrever, 
mas que é manchete de jornal todos os dias. Gente que morre,
gente que sofre, gente que luta e gente que espera. Mas espera o quê?
O que essa gente espera? Misericórdia? Compaixão? Um milagre?
Não quero dedicar odes a uma terra triste, com fome de um lado e miséria de outro.
Quero dedicar a mais verde esperança que, por uma razão que desconheço,
ainda se faz presente em nossos dias.
 


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