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quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Muito de mim


Lembro de mim mesma com tanto vigor
Lutando por algo que eu nem mesmo queria
Praticidade é coisa da idade
Jovem gosta mesmo é de complicar


Estudei o que não precisava
Formei-me no que não sonhava
E durante muito tempo fui tudo o que não almejava ser


Fiz da vida um medo constante
Não porque ela se esvaísse
Mas porque eu a tinha demais
Só que de um modo indevido


Eu tinha infinitos minutos à mão
Mas para quê? Simplesmente para não fazer nada
Ou melhor, para fazer tudo o que não desejava


De repente, um milagre se fez.
Eu mudei, eu realmente vivi.
Passei a fazer o que realmente nasci para fazer
E inspirei um ar de verdadeira existência


Fui abrindo os olhos
Enxergando mais do que vendo
Pensando mais do que sentindo
Refletindo sobre o tudo e sobre o nada. 
Antítese que até hoje me fascina


Compreendi em totalidade 
Sem ser dona da verdade
Percebi nas pequenas coisas a grande beleza da vida


Hoje posso dizer que todas essas coisas às quais refleti
Passaram a ter um valor inestimável para mim
Mas ainda há algo que não sou capaz de conceber


Dizem que o maior mistério da vida é a morte
Discordo
Para mim o maior mistério é o ser humano
Que ora nos afaga, ora nos apunhala
E em todo o tempo nos surpreende


Line S2