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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A vida que eu não quis


Eu só tive a vida que eu não quis.
Os sonhos que não sonhei, os amores que nunca desejei.
Tudo isso foi meu
Tudo isso me pertencia mesmo sem eu querer

Aquele retrato na parede que só refletia lembranças
Ancestrais meus que também foram infelizes,
mas até aquelas memórias não me motivaram a nada.
Eu seguia o que julgava ser a minha sina: viver aquilo que menos  desejara.

Agora, nesses segundos finais, me pergunto se valeu a pena fingir viver.
Talvez, uma vida mal vivida seja infinitamente pior do que a morte.
Embora seja tarde, repudio com todas as minhas forças a minha vida.
Essa vida miserável, fingida, indecisa e covarde.

A vida que eu não quis.



Line S2

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Muito de mim


Lembro de mim mesma com tanto vigor
Lutando por algo que eu nem mesmo queria
Praticidade é coisa da idade
Jovem gosta mesmo é de complicar


Estudei o que não precisava
Formei-me no que não sonhava
E durante muito tempo fui tudo o que não almejava ser


Fiz da vida um medo constante
Não porque ela se esvaísse
Mas porque eu a tinha demais
Só que de um modo indevido


Eu tinha infinitos minutos à mão
Mas para quê? Simplesmente para não fazer nada
Ou melhor, para fazer tudo o que não desejava


De repente, um milagre se fez.
Eu mudei, eu realmente vivi.
Passei a fazer o que realmente nasci para fazer
E inspirei um ar de verdadeira existência


Fui abrindo os olhos
Enxergando mais do que vendo
Pensando mais do que sentindo
Refletindo sobre o tudo e sobre o nada. 
Antítese que até hoje me fascina


Compreendi em totalidade 
Sem ser dona da verdade
Percebi nas pequenas coisas a grande beleza da vida


Hoje posso dizer que todas essas coisas às quais refleti
Passaram a ter um valor inestimável para mim
Mas ainda há algo que não sou capaz de conceber


Dizem que o maior mistério da vida é a morte
Discordo
Para mim o maior mistério é o ser humano
Que ora nos afaga, ora nos apunhala
E em todo o tempo nos surpreende


Line S2

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Canção do Bon Jovi

                                       
                       

Como se não bastasse ser o mês do cachorro louco, no dia da reunião mais importante da empresa naquele ano acordei atrasado e com uma dor de cabeça terrivelmente mortal. Não levantei da cama, saltei feito um ninja daqueles filmes de luta que a gente bem sabe que são mentirosos. Apesar que... naquele dia, eu fui tão ligeiro para o trabalho que nem pareceu real a minha chegada vinte minutos depois à empresa, arfando muito e já maldizendo aquele dia.
Tudo deu errado: levei uma bronca em público do diretor pelo atraso, fui notificado que não teria aumento de salário (e eu que já contava em trocar o carro naquele ano...), me estressei com um colega da mesa ao lado e meu computador resolveu travar quatrocentas mil vezes numa mesma manhã e mais quatrocentas mil vezes numa mesma tarde. Ah, também queimei a língua no cafezinho de depois do almoço.
Quatro horas da tarde, momento de voltar para casa. Pensei: Graças a Deus! Não aguento mais esse inferno!
Entrei no elevador assoviando uma canção do Bon Jovi, tamanha a minha alegria. A hora de ir embora era sempre o momento mais feliz do dia. Aquele emprego era um flagelo.
Entrei logo no carro e segui viagem. No caminho, fui desanuviando minha mente das espessas nuvens negras do trabalho. Quando meu céu mental estava lindamente azul e claro, novas nuvens negras surgiram do sudoeste do meu inconsciente: as mazelas familiares. Pensei: Vou chegar à casa e ter que ouvir os queixumes de Suzana (minha mulher) e suportar as traquinagens das crianças por uma ou duas horas até o momento de dormir.  Parei no sinal e fechei os olhos por alguns segundos. Só conseguia ver o rosto de Suzana gritando e esbravejando por tudo e por nada. Caramba! Por um momento eu quase me esqueci da consulta marcada com Dr. Almeida, meu cardiologista. Que dia seria mesmo? Terça, quarta... Acho que quarta. Sim, com certeza quarta! Mas pera aí... Maldição!
Mais uma vez eu havia perdido a consulta, mas tudo bem. Eu poderia remarcá-la como das outras vezes.
Mal cheguei à casa e já ouvi o alarido que vinha de dentro. As crianças brincavam de índio e estavam realmente convencidas de que a sala era a Floresta Amazônica. As centenas de folhas secas que pegaram do quintal e jogaram sobre os sofás e o tapete comprovavam isso. Atrás delas, Suzana gritava loucamente segurando uma colher de pau, sem sucesso. Quando deu por mim, foi logo pedindo, ou melhor, gritando auxílio. Ignorei, fui direto para o banho. Aquele sim, era um momento singular e eu até assoviei Bon Jovi de novo. Uma hora depois quando saí, já era hora do jantar. Comemos em silêncio como de costume. Estava tudo na mais perfeita harmonia: eu cansado e estressado do trabalho, Suzana revoltada comigo e com as crianças e estas chateadas porque não queriam parar de brincar para comer legumes.
Após jantar, sentei no sofá e assisti ao telejornal. Nada de novo: violência e mais violência, além de corrupção política. Levantei e fui para cama. Deitei com pesar, estava muito cansado. E assim concluí mais um dia, onde eu fingia ter um trabalho, uma família, uma casa, enfim... uma vida!


Line S2

Essência

                                

Engana-se quem pensa que é fácil ser poeta. Já imaginou a responsabilidade que é carregar o mundo inteiro dentro de si?
E não é só o mundo. Há também os sentimentos, os mais variados sentimentos, principalmente o amor. Eu sei, você deve estar pensando que muita gente carrega o amor dentro de si, mas o amor do poeta não é qualquer amor (se você acha que amor é tudo igual, te aconselho a rever seus conceitos). É muito difícil descrever o amor de um poeta. Por quê? Porque é do poeta ué, só isso basta.
Traduzir um sentimento, uma pessoa, um momento num poema é agridoce. É preciso ser parte daquilo que se traduz e, ao mesmo tempo, não ter nada a ver com aquilo servindo apenas como um instrumento. Complicado? Ah, você não sabe o que é complicado... Vai ser poeta pra saber! Vai sentir as inquietudes, as incertezas, as esperanças, as dores suas e dos outros também. Vai olhar para uma simples rosa e imaginar um jardim inteiro, contemplar um copo d’água e fazer dele o teu oceano, vai esboçar com lápis e papel uma estrela e se deparar com uma galáxia inteira!
Poetizar não é tarefa fácil, mas não poetizar é mais difícil ainda para o poeta, porque a poesia permanecerá em seu interior. É como a mulher que se nega a dar à luz: ela não gerará uma criança, mas o útero continuará lá dentro dela, para lembrá-la que nele se cresce uma vida. Um poeta pode não escrever seus poemas, mas não pode arrancar de dentro de si a sua essência poética.
Se você não é poeta, te aconselho a respeitá-los (e quem sabe compreendê-los se é que isso é possível...), pois como eu já disse não é uma tarefa fácil. Agora, se você é um poeta, meu conselho é: não pare, lute! Porque poesia é muito mais do que palavras e ser poeta mais do que pessoa.



Line S2

terça-feira, 21 de junho de 2016

Siga em frente

                                 

Arrume a sua mala, mas pegue somente o essencial. Siga em frente e não olhe para trás. O que passou deve ficar no passado e o presente é o que realmente importa.
Não se culpe por nada, sempre haverá fracassos em todas as áreas da sua vida. O importante é que você tentou e a vida é assim mesmo: uma mistura de perdas e ganhos.
Caminhe certo de que haverá obstáculos no caminho, mas que também haverá soluções para os mesmos. Apenas tenha sabedoria e paciência para enxergá-las.
Realizar um sonho nem sempre é fácil, requer fé e perseverança. Mas siga adiante, mesmo se estiver com medo, cansado ou até mesmo triste. Apenas siga. Para uma mente persistente, a vitória é só uma questão de tempo.



Line S2

quinta-feira, 3 de março de 2016


"Às vezes, recomeçar é preciso..."

Recomeçar: um bonito verbo. Repleto de sonhos, esperança e, por que não, felicidade.
Um recomeço sempre se faz necessário para aqueles que buscam um novo sentido à vida. Isso, é claro, requer alguns sacrifícios. Na verdade, vários. Se não estivermos aptos à renúncia, tampouco estaremos ao recomeço.
Todas as vezes que me reinvento, recomeço. Essa reconstrução do ser a fim de uma essência melhor é sempre recomeçar. Todas as vezes que alguém volta ao início, tem em suas mãos a chance de realização novamente.
Se a vida não te parece atrativa e boa para ser vivida, se reconstrua. Se o seu caminho não condiz com os seus anseios, recomece. Mais vale repetir a caminhada por um ideal do que caminhar uma única vez sem propósito algum.


Line S2